Ser uma garota solteira de 30 e poucos anos, à primeira vista, pode indicar que as possibilidades de diversão são restritas. Realmente, não é qualquer lugar, qualquer balada, qualquer tipo de gente, que faz essa garota sair de casa. Afinal, aos 30 e poucos, ela se torna ainda mais seletiva. E engana-se aquele que pensa o contrário, porque, ainda que a idade pese, principalmente, para o conceito machista e fashionista da nossa sociedade, são outros os seus atrativos. Pode parecer discurso feminista, mas a verdade é que nessa idade, de um jeito ou de outro, essa garota de 30 e poucos está mais segura consigo mesma. Tem mais consciência de seu corpo e de seu poder de sedução, do que tem a oferecer. A juventude pode significar algo um pouco distante, mas a maturidade traz consigo algo que os homens (os sensíveis e, certamente, os melhores) admiram e muito: confiança. Por isso, ela sai pra se divertir. Azarar, ficar, são coisas secundárias, já que o resultado da noite é antecipado. A curtição começa na hora de se arrumar, de combinar com as amigas, no percurso do caminho. Quinta passada, por exemplo, saí com algumas amigas solteiras pra uma balada, animada com a banda que iria tocar. Esqueci até que no dia seguinte teria que levantar cedo pra trabalhar. E já no caminho, rimos até. A conversa principal foi o que cada uma achava do membro masculino (do pênis)!!! Isso mesmo! A pergunta era: ele é bonito? Para algumas ele não tem nada de interessante, mas todas concordaram que era bom! Só fiquei imaginando que tipo de conversa um grupo de garotos teria num momento como esse... Será que parecida?! Pela conversa já chegamos “calibradas” e com a cerveja, boa e gelada, a curtição foi geral, mesmo com o público feminino predominante do ambiente. Mas percebi, na balada, o quanto as pessoas, independente de quem sejam, são interessantes! Tudo bem que ali somos as melhores pessoas apresentáveis do mundo, mas, enfim, todas com certeza à procura de, como diria o Rei Roberto, emoções. Mas o saldo foi superpositivo. Já no sábado, a balada era banda também, banda muito boa, por sinal. Só que o problema do sábado é o público freqüentador da balada: adolescentes. Nada contra. Eu já fui (em algum lugar do passado) uma. Mas, como disse antes, uma garota de 30 e poucos fica mais seletiva e, apesar de eu não estar à procura de um cara mais (muito mais) velho (ou melhor, de um pai - nada contra!), não tenho jeito pra cuidar de criança. Não agora. Apesar que às vezes me pergunto quando a gente deixa de ser adolescente. Eu mesma me senti uma, acho que até mais ou menos os meus 26, 27 anos. Se for assim, então, não é tão ruim ficar com adolescente. Aliás, eles têm a vantagem de estarem com os hormônios à flor da pele. Sempre animados. Enfim, querendo aprender... Saldo da balada: tirando a molecada de quinze que certamente entrou com identidade falsa, foi positivo. E pra terminar, happy hour de terça-feira com as amigas de 30 e poucos, que há algum tempo eu não via. Excelente! Horas divertidíssimas, muito riso, muito choro, muita novidade, muito papo “cabeça”, muita história fútil. Além do clima de boteco, o legal, também, foi ser surpreendida com uma banda muito boa, mesmo com meia dúzia de mesas ocupadas para prestigiar. E cada uma foi contando da sua vida, e cada uma foi falando da vida dos outros e palpitando sobre a vida da outra, enfim, momento pra comemorar a amizade que, quando verdadeira, tempo nenhum faz estremecer. E mesmo invejando a amizade dos meninos, de tão desencanada e leve, pude perceber que nós meninas também sabemos nos divertir sem “fofoquinhas” e “invejinhas”. Temos muito assunto, além de ficar falando mal da vida alheia!!! Por isso acho que a grande diferença de uma e de outra é o nível de álcool no sangue. Finalmente, fomos embora tarde e eu revigorada. Pronta pra mais uma, pronta pro que a vida quisesse me oferecer. Por que? Porque não há nada melhor no mundo do que sair, se divertir, estar em boa companhia, conhecer gente nova... Talvez isso seja liberdade. Talvez seja apenas amadurecimento, talvez seja eu querendo r ecuperar algum tempo perdido, ou melhor, não querendo mais perder tempo...
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